Usain Bolt

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Eu tava pensando em qual motivo de conto ou crônica iria armar para a newsletter dessa semana, provavelmente pairando situações de amor e cotidiano, qualquer situação do dia a dia que pudesse ser colocada aqui sob uma nova ótica ou com intenção de expor a verdade clara mais em evidência, causando assim novo arroubo no que estava lá o tempo todo. 

É essa a ideia das minhas histórias.

Mas, sentado aqui de frente pra televisão, fui mais uma vez atraído pelas competições olímpicas que nos últimos dias tem tomado meu coração. Eu adoro esportes e acompanhar as diversas modalidades olímpicas me deixa feliz por demais. Mas nada que atrapalharia, em teoria, esse meu delicioso compromisso de deixar em dia a Meio-Fio da semana.

Até, mais uma vez, o Usain Bolt entrar em cena. Acabou de acabar aqui a disputa da semi final dos duzentos metros em que o jamaicano correu e, claro, venceu.

E daí foi tudo por água abaixo. Que privilégio ver essa galerinha correndo. Acontece que, claro, vimos um Bolt disparar na frente depois da metade da prova e, ao se perceber único e desacompanhado, começou a se poupar na intensidade da corrida. Ao seu lado, o canadense Andre De Grasse queria mesmo vencê-lo (sim, como se fosse possível) ou, como disse na entrevista posterior, ao menos testar os limites do oponente, o homem mais rápido do mundo. Bolt nunca perdeu, não seria numa semi final que ele conheceria a derrota. E então, com vontade, o canadense começou a avançar com toda a velocidade que podia.

Ameaçado, restou a Bolt correr mais rápido de novo. Mas o legal foi vê-lo rindo da audácia do oponente, que poderia mesmo tomar a frente e vencer. Ganhou, do Andre De Grasse, um sorriso de volta e, quase juntos, com diferença de apenas dois centésimos de segundo, atravessaram a linha de chegada, o atual campeão debochando do perigo e o canadense, bronze nos cem metros, gozando o fracasso.

Que delícia a vida assim, rindo das inconveniências da vida, dos contratempos, do prejuízo. E se cumprimentando no final.

Jader Pires